"Melhor do que ler a coluna do Veríssimo num domingo ensolarado de manhã, esperando a chegada do café para pular na piscina, é ler o Letras e Harmonia a qualquer hora em qualquer lugar", Zé- operário.



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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Iluminismo II

Se eu fosse classificar o atual período da humanidade de acordo com a marcação de um dia de verão, estaríamos às 17h. Período em que as "forças produtivas" estão mais desgastadas, em que pensamos em tomar um banho gelado, encontrar a namorada, praticar esporte, usar chinelo, ser vagabundo e informal. O ser humano é, antes de tudo, informal e gosta de ser assim. O formalismo acontece contrário às nossas vontades mais primárias.

Durante a Idade Média, dormimos muito e profundamente. Sonhamos bastante. De manhã, concentramos o vigor de um corpo e mente dispostos a agir, produzir, aprender. À tarde, após o Iluminismo, nos lançamos a um processo insano de racionalização, individualismo, concorrência, que, ao extremo, não fazem bem, ao contrário.

Tudo isso faz bem, sim, à economia. Muito bem, por sinal! Essa área é regida por regras próprias, impiedosas e pouco (ou nada) preocupa-se com o bem-estar humano. Sobram autores que abordam o tema, como Debord e Bauman (dois dos maiores).

A própria publicidade, símbolo espetacular, ferramenta de exclusão/inclusão e exemplo da soberania econômica sobre a pessoa, tem denunciado a recusa humana em enclausurar-se na caixinha do individualismo e revela a nossa aceitação em nos abrimos para o convívio harmônico com os outros.

Freqüentemente, as campanhas de cerveja destacam o fim do expediente de trabalho, quando os amigos se reúnem para rir, brincar e... beber cerveja, claro! É o momento de exaltação! Nada mais feliz! O "happy hour" acontece por volta das 18h.

A proximidade do lusco-fusco (tem dicionário aí?) proporciona um novo Iluminismo, o Iluminismo II. Não baseado na ganância, na trapaça, no egoísmo, na deslealdade e autodestruição. A nova fase do conhecimento gira em torno da cooperação, da parceria, da tolerância, do diálogo e do respeito.

No entanto, ainda são 17h. É o princípio do despertar. Estamos muito ligados às tarefas não criativas, aos afazeres inúteis. Dentro de alguns minutos chutaremos o balde. Falta pouco.
O surgimento e, principalmente, a expansão das ferramentas virtuais de comunicação colaborativa, horizontal e mais próxima à democracia, não me deixam mentir. O Orkut, os blogs, o MySpace e os fóruns de discussão, entre outros, demonstram, na rede, o que queremos fora dela: informalidade, transparência e tudo mais registrado acima.

Descontração, porém, não remete necessariamente à desorganização. Pode ser, ao contrário, sinônimo de relacionamento confiável e sincero, de valorização humana.

17h é o momento da desaceleração de um esforço sem planejamento direcionado para um horizonte qualquer. Já é a hora de darmos conta disso e pensarmos em um novo direcionamento.

Até lá!

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