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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Barack Menezes



Peço desculpas à Maitê Proença, mas ela não é mais o meu ídolo. Ainda admiro muito os pensamentos da filósofa (leia a crônica A Filosofia da Maçã e do Bolo de Chocolate), mas tenho um novo herói: Barack Obama. Fui contaminado pela força da imprensa, pelo carisma e pela campanha do 44º presidente dos Estados Unidos. Fui contaminado pela corrente de esperança, de diplomacia e respeito entre raças representados por Obama.

Em meio à crise financeira, à ocupação estadunidense no Iraque, à iminência de outras guerras e à necessidade de alinhamento do "progresso" aos anseios humanos, surge um mocinho no filme da realidade que propõe salvar a mocinha. A cena emociona mesmo, inclusive em terras brasileiras.

Enquanto esperava ontem à tarde a chegada do meu carro coletivo, uma caminhote preta passou com uma grande bandeira dos Estados Unidos lindamente balançada pelo vento. Dado o contexto, só poderia compreender aquele ato de um brasileiro comum como alguém que enxerga no presidente uma nova direção, contrária à ignorância e ao desprezo pela pessoa.

Barack Obama. Esse é o cara. É mais do que o Romário em 1994. É muito mais do que o Garotinho em Campos e do que o PSDB em São Paulo. Michael Phelps é fichinha perto dele. O novo presidente conseguiu a façanha de agradar até o rival político John MacCain, que fez a seguinte declaração após o resultado: "agora Obama é o meu presidente".

Se há pouco tempo Obama era desconhecido, hoje ele é um ícone comparado a Martin Luther King Jr., símbolo da luta pela liberdade e pelos direitos civis.

O fato é que a festa da mídia espetacular e das nações esperançosas (não apenas do povo norte-americano, mas de todo o mundo) vai chegar ao fim. No dia seguinte vem a ressaca e a cobrança das promessas, vem a pergunta a respeito do slogan "yes, we can": but how?

Já conhecemos essa história através do futebol. Se hoje o Ricardo Teixeira demitir o técnico Dunga da seleção brasileira e o Felipão for contratado para assumir o cargo, o Brasil sorri como rico num churrasco de caviar e vinho francês, animado com apresentações de coelhinhas da Playboy. Apenas o nome do novo treinador, porém, não é o suficiente para faturar a Copa.

Ano passado, Mano Menezes foi convidado para apagar o fogo que fritava o Corinthians e conturbava o ambiente da imprensa esportiva paulista e do Parque São Jorge. Mesmo sob muitas críticas, Mano aceitou o desafio. Diziam que seria um suicídio assumir um time desestruturado e sem recursos. O corajoso técnico ignorou as dificuldades e trabalhou firme para colocar o alvinegro novamente na Série A do Campeonato Brasileiro.

Se falhasse, Mano seria considerado um incompetente. Porém, ele obteve êxito e hoje é o herói da torcida, assim como Barack Obama, ainda sem trabalhar, é o meu, pelo menos até o Felipão conquistar outro mundial pelo Brasil.

Um comentário:

Talita Militão disse...

Sempre será um risco acreditar. Hoje acreditar em Obama é um grande risco, mas o que seria da vida se não fôssemos capazes de tentar ver além do que a própria realidade mostra?

Muito boa crônica!!!!

Falando nisso vc está um hiperblogueiro menino! Parabéns!!