"Melhor do que ler a coluna do Veríssimo num domingo ensolarado de manhã, esperando a chegada do café para pular na piscina, é ler o Letras e Harmonia a qualquer hora em qualquer lugar", Zé- operário.



Contato:
brunolara_@hotmail.com

terça-feira, 6 de abril de 2010

Visão astronáutica

Certa vez, li uma declaração de um astronauta que me fez refletir um bocado. Achei tão interessante, que decidi escrever essa crônica para compartilhar com você a (enriquecedora) ideia. Nem sei o porquê da manifestação só agora, já que faz algum tempinho. Mas, o fato é que cá estamos.  Sem delongas. Ah, e evite perguntar o nome do astronauta, a nacionalidade dele, para qual time torce ou o veículo em que foi publicada a entrevista. Sei que foi numa revista. Revista nacional. Só isso e nada mais.

O comentário foi mais ou menos esse: “Depois que vi o planeta pelo espaço, fora da estrutura onde vivemos, muitas coisas ficaram claras e fáceis para mim. Sair daqui, ver tudo de longe, de um ângulo do qual poucas pessoas tiveram a oportunidade, me deu um senso de compreensão, de sensibilidade e de fraternidade enorme. São aspectos desprezados em diversos momentos do dia a dia, sabemos disso, mas sem os quais nos tornamos tão abaixo da nossa capacidade como humanos!

Diga lá, é ou não é bonito? Curioso como o distanciamento pode nos ajudar a ter um olhar melhor, um bom senso mais acurado! Pode contribuir para solucionar várias tarefas. Uma comparação: tente ficar uma semana inteira dentro de casa, sem ir à padaria comprar leite Parmalat (tática para, quem sabe, receber um patrocínio), jogar pelada com os amigos, estudar, trabalhar ou cantar a vizinha (tática para...). No mínimo estressante se manter limitado nessa “fronteira”. Melhor do que você, qualquer  visitante vai saber identificar virtudes e defeitos no lugar.

Há algum tempo produzi uma crônica insinuando que a solução do país não seria “alugar o Brasil”, como sugeriu Raul Seixas, mas sim o governo bancar viagens de ida e volta (para alguns só de ida) ao espaço sideral (qualquer hora dessas posso reproduzir aqui o texto). Acho que renovaríamos a espécie humana. E para melhor.

Acredito que há casos em que, por exemplo, o economista não é a melhor pessoa indicada para falar sobre economia, o empresário não é o cara certo para discursar a respeito de negócios, o goleiro Bruno, do Flamengo, não é o personagem ideal para homenagear as mulheres no dia de 8 março, e por aí vai. Alôou... repito: HÁ CASOS. Não significa que sejam em todas as situações. Claro, claro (numa outra ocasião podemos nos prolongar mais sobre isso, ok?)!

É que a gente tende a se tornar corporativistas à medida que nos especializamos mais e mais em determinada área. Nos aprofundamos tanto a ponto de perdemos a noção de que aquele ambiente integra um contexto maior, bem maior.

Por exemplo, quantos foram os momentos em que presenciamos tomadas de decisões equivocadas por técnicos de futebol, alguém que respira o esporte? Mesmo sem grande compreensão, a torcida, de fora, tem os próprios insights, os próprios momentos de sabedoria (preciso utilizar com cuidado essa palavra), e observa soluções onde o comandante do time nem mesmo sonha analisar. Basta uma simples mudança para tudo se encaixar (quem sabe o Dunga deixar de escalar o Doni).

Deve ser por isso que casais apelam para o famoso (e temido) tempo, para que tenham uma sensibilidade, eu diria, astronáutica dos conflitos conjugais. Embora alguém sóbrio, o filósofo Platão acreditava que, veja só, os filósofos é quem deveriam guiar e orientar a sociedade. Vixi, quanta corporativice! Puxava sardinha para si (expressão mais antiga, preciso me atualizar!), assim como membros de váááárias categorias. Entre eles, o sociólogo Max Weber (acho que era ele sim), segundo o qual o verdadeiro governante tinha que ser...adivinha... acertou: da Sociologia (você é bom de palpite, hein!).

Nessa linha de pensamento, não duvidaria que surgisse alguém, um cronista, talvez, dizendo que o presidente do Brasil deveria ser por Decreto-Pétreo-Supremo-Inquebrável um cronista.

Taí, interessante a idéia. Não havia pensado nisso, mas gostei!

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Quem quer dinheiro?"


Fonte imagem: baixaki.com.br

Mega-Sena. Agradável, hein! De novo, agora devagar: M-e-g-a-S-e-n-a. Soa tão ou mais harmonioso do que a 9ª Sinfonia de Beethoven, Allegro Maestoso, de Chopin, ou Se Ela Dança Eu Danço, do Leozinho, o MC. Ganha, inclusive, do barulhinho da chuva no jardim, domingo às 17h na roça. Ah, quase que eu me esqueço do genial Gene Kelly e o clássico Singing In The Rain!

Mega-Sena. Mais do que um jogo, mais do que uma mera distração, a M-e-g-a é uma espécie de ponte para estimular os nossos sonhos mais lúdicos (e nada há de redundância aqui).

Imagino (e espero sinceramente) que você tenha estacionado de propósito nesta página, porque gosta desse nosso encontro, tanto quanto o cronista que vos cronista. Tenho que reconhecer, porém, que a capacidade de atração do título é grande. Muito grande! Ô, e como grandeoso é o pobr... rico coitado! Deveras.

Madona, Gugu Liberato, estrelas de cinema são fichinha perto do astro. Melhor, vou além: perto do quasares (núcleos de galáxias muito brilhantes). Que atire a primeira carteira com todos os vales-transporte do mês quem nunca fez uma única fezinha.

Eu aposto R$ 200 milhões que você até costuma jogar vez ou outra. Diga lá! Entre nós não há segredo. Eu também costumo arriscar. O que são R$ 2 diante da possibilidade de massagear a conta bancária com alguns simpáticos zeros à direita, chutar o balde e passar as segundas-feiras tomando água de coco e sorvete de flocos com creme na praia de Acapulco?

Se a M-e-g-a fosse um personagem do Big Brother, facilmente levaria para casa o prêmio maior, dada a popularidade e penetração na sociedade. Eu mesmo votaria (por e-mails, telefonemas e cartas) para ela vencer. Sempre. Veja, por exemplo, numa conversa: todos a-d-o-r-a-m revelar o que fariam caso fossem contemplados com a bolada dourada. São carros, casas na praia e na montanha, são iates e, quiçá, uma mansão verde-abacate ultraequipada e megaconfortável para a sogra na região mais valorizada de Plutão! Carinho nunca é demais!

Reconheçamos, porém, que acertar os seis números da M-e-g-a é tarefa um tanto quanto, digamos, complicada. Tem que ser muito cagã... sortudo mesmo. Dizem os matemáticos que é uma chance em 50 milhões. Mais fácil a novela das oito começar às oitos horas ou o Hugo Chávez ser vice na chapa do Barack Obama  do que uma determinada pessoa acertar os seis números.

Bem, mas a Matemática é abstração, não é verdade? Abstração por abstração, fico com o lúdico (e nada há de redundância aqui).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Fim dos tempos... por enquanto


Februarius. Daí a denominação do nosso segundo mês do ano, no calendário conhecido como gregoriano, em homenagem ao Papa Gregório XIII, que reorganizou a nossa "agenda", há...há... anos pra cacilda. O significado de februarius é purificação, em referência à mitologia etrusca, na qual  Februus era o deus que purificava. Já na mitologia brasileira, a tradução para fevereiro bem que poderia ser algo como preguiça, embromação.

Não foi à toa que inicialmente fevereiro era o último mês do ano. Quando vai se aproximando o fim de um curso, as disposições já não são mais as mesmas, tende-se para a redução das energias, ao menos as chamadas produtivas- no sentido predominante atualmente. Hum... como um acalmar das movimentações (místico assim!).

Vamos tomar como exemplo esse boato de que em 2012 o mundo sobe no telhado. Em 2011, você manteria o ritmo e o estilo de vida? Fala a verdade (segredo nosso, prometo não espalhar- confia em mim?). Ou, ao contrário, aproveitaria o ano para VIVER (em maiúsculo mesmo)? Aposto duas entradas para o jogo do Flamengo na final da Libertadores deste ano que você decidiria pela segunda opção (promoção sujeita a cancelamento, caso o vencedor não saiba falar hebraico).

Tentador viajar para aquele lugar que sempre nos chamou a atenção, reunir todos os amigos numa festa de três dias e três noites e fazer um milhão de coisas que estão no canto da sua mente há um bom tempo, né? Tipo chegar na irmã do seu amigo, sem receio do que ele vai pensar, até porque ele deve estar de olho na sua prima (garanto que não é autobiografia).
 
Quando estamos no fim de um percurso, a gente pensa e tende a agir diferente de quando estamos no meio dele (esta reflexão superoriginal está sendo patenteada, hein!). O fim, porém, é como o início. De certa forma.

Antes de ser o segundo mês do ano, fevereiro era o último. E antes disso, não era! "Como não era?" Não era, ora bolas. Até o século 8 a.C, o  calendário romano tinha dez meses. Sim, curioso, não? Februarius e januarius (este, o penúltimo) passaram a  compor o calendário no século seguinte, quando foi preciso acertar a marcação do tempo em relação  à contagem astronômica (científico assim!).

No século 1 a.C., Júlio César (não o goleiro da seleção, mas sim o imperador- não o atacante do Flamengo, mas sim o militar romano) transferiu os amigos februarius e januarius (boa praça como o titular) para o início de cada ano. Mesmo não sendo o último, fevereiro ainda fica com aquela cara de domingo após o almoço na casa da avó simpática do interior de Minas Gerais. Uma lombeeeeira! Saiu do fim para ficar no início, quando as forças estão ainda se aquecendo.

Se fosse um programa de TV, acho que fevereiro se pareceria com o Vale a Pena Ver de Novo. Caso fosse um  piloto de Fórmula 1 ou um time de futebol, se assemelharia  bastante, respectivamente, com o Rubinho e com o time do... (crônica interativa: use a imaginação). Arriscaria dizer que fevereiro é como as saudáveis piadas sobre o querido povo baiano.

Fevereiro: Carnaval, festas das festas; semiférias; mês mais curto. Todo original. Todo diferente. Todo marrento. Todo se querendo. De verdade, de verdade mesmo? É um pseudomês, não almeja superação alguma. Os que desfrutam mesmo de fevereiro sequer esperam março (talvez a maioria?). Pra quê? Por quê? Fevereiro é o início e o fim de si próprio. Se basta!

Vamos compará-lo ao recém-casal de namorados, juntos há dez dias. Não veem algo depois daquele momento. Que política internacional que nada! Que Teoria do Big Bang,  declarações do presidente da Coreia do Norte, sucessão da Corte britânica! O casal se basta. Se vive. Fevereiro também. O casal gira ao redor de si. Fevereiro também. Uma pequena ponta de tempo que recusa o todo. Autonomia poética (literário assim!).

Adoraria saber como a Física explica esse fenômeno, mas estamos em fevereiro. Ele se explica por si só e recusa qualquer (tentativa de) intervenção. Quanta pertinente insolência! Até fevereiro.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Que seja eterno enquanto dure esse amor!



        Imagem: WClipart.
Um dos temas que mais me chamam a atenção, tanto para escrever quanto para refletir, é a pós-modernidade (abrangente, né?). Primeiro pela agradável e não tão rara coincidência: sou um indivíduo pós-moderno. Talvez até tenha presenciado também outras épocas, como a Modernidade, a Idade Média e, quiçá, o período da Grécia Antiga. De fato, de fato mesmo, não posso afirmar com aqueeeela certeza. Tenho apenas vaga lembrança da época em que pegava a Cleópatra, quando o romano Marco Antônio ia jogar par ou ímpar com os amigos de bar, mas são só flashes.

Em segundo lugar, a pós-modernidade é interessante, inclusive, porque parece uma folha em branco, na qual qualquer desenho/rabisco pode ser feito. Seja para o que é considerado bem e não tão bem assim. O mundo hoje está, de acordo com a minha humilde opinião, como uma literatura. Uma literatura de alto nível, a verdade seja dita. Desafio um escritor a ter imaginado tanta fantasia que pareça verdade, ou verdade semelhante à fantasia- algo mais ou menos assim!

Veja, por exemplo, o acelerador de partículas LHC, construído sob a fronteira da França com a Suíça. O maior equipamento científico da história do planeta (pelo menos do nosso) concentra a expectativa e esperança de revelar mistérios da esfera onde “vivem” as  subpartículas. Se tudo der certo, acredita-se, vamos entender melhor o Big Bang, teoria mais aceita sobre o surgimento de tudo a partir de quase nada.

Os cientistas da Física Quântica, que analisa profundamente as tais subpartículas, dizem que a “vida” lá é mais intensa e também mais instável do que a programação do SBT e temperamento de filho mimado por pais ricos. Trazendo para a nossa realidade, uma bola, por exemplo, é capaz de girar para um lado e para o outro, como aqui, mas ao mesmo tempo (!). Sim, estou sóbrio. Doideira, né?

O limite que separa a literatura e a ciência está cada vez menos perceptível. A proximidade entre o (belo) instigante casal confunde a gente às vezes. O que seria literatura? E a ciência? Onde exatamente está a imaginação? E a realidade?

Esse namoro já virou noivado e, inevitavelmente, chegará no altar. Não há muito tempo. “Se alguém for contra essa união, fale agora ou cale-se para sempre”. Vixi, essa não é uma típica frase religiosa? Olha um novo triângulo amoroso se formando...(quem seria o Marco Antônio?)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Excelente 2010

Obrigado a você pela companhia durante este ano!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Série: Ouvi por aí

Piada Manchete da semana:

Bebeto sonha com título do América no Estadual do RJ.

Foto: Extra online. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Explicação? "Tem, pô"!


Caríssimos,

demorei um "pouquinho de nada", é verdade, mas estou de volta! Espero que gostem da crônica abaixo:




Papai Noel, coitado do coroa, deve estar boladão. Se há poucos anos o gordo mentiroso (até hoje me deve o Fifa 95 para Mega Drive) demorava uma eternidade para nos visitar, nos presentes dias, a vinda dele é mais frequente do que conquistas do Flamengo (bem, modéstia à parte).

O atual período do ano, quando as festas marcantes estimulam a reflexão, é propício para comentários do tipo: "Nossa, como o tempo está voando! O Natal foi ontem mesmo!"

Sobram teorias para tentar explicar o antirrubinho temporal. Uma delas vem da Física. Segundo a Ressonância de Schumann (prometo não ser chato), alterações de equilíbrio físico seriam responsáveis pela redução do dia: de 24h para 16h. É como se uma espécie de marcapasso regesse a harmonia Terra-homem, cuja frequência seria da ordem de 7,83 hertz. A partir da década de 1980, a pulsação do planeta teria começado a aumentar, resultando numa dissintonia entre ele e nós. Leia-se: perturbações climáticas etc.

Outra abordagem, mais conhecida, é a sociológica/psicológica. A intensa movimentação contemporânea daria a nós a sensação de que o tempo estaria mais depressa do que antes, quando havia menos afazeres e a Sessão da Tarde era bom pra casse...ramba (alguém já ouviu falar sobre o filme A Lagoa Azul?).

Epa! Estou enganado, ou a Teoria da Relatividade, do nosso amigo Albert Einstein, diz que quanto mais rápido no espaço, mais devagar no tecido temporal? Então, toda essa agitação pós-moderna deveria tender para a lentidão. Bem, talvez até seja, mas de quem observa de fora. Afinal, segundo a teoria, tudo é relativo. Mas, é melhor deixar de lado essa viagem, pelo menos por enquanto. Até porque em matéria de Exatas sou tão turista quanto alemão alto (no sentido etílico) cantando funk e dançando samba no calçadão de Copacabana em pleno réveillon.

Agora, se W.O. Schumann estiver mesmo certo, as Olimpíadas 2080, na Antártica, praticamente estão aí!




Bom dia e
felicidades!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Puxão de orelha nele!

Amigas e amigos, ótimo dia!

A ciberleitora Gabriela Xavier, de São Luiz-MA, enviou ontem um e-mail criticando a baixa frequência de atualização do Letras e Harmonia:

"Gosto dos seus textos, mas a falta de postagens constantes acaba afastando os leitores".

Ela está certíssima. Nos últimos meses, tenho atualizado o blog poucas vezes, o que não é do meu agrado (nossa, o mês de agosto passou liso). Mesmo assim, vou me esforçar mais para aproveitar o tempo livre e publicar mais crônicas. Já adianto que um texto está em fase final de produção!

O nome da crônica é... bem, surpresa!



Felicidades e bom dia!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Antes tarde...

Olá, pessoal!

Essa crônica foi inserida num veículo local aqui da cidade, ok?


Se há uma situação que incomoda um cronista, essa situação é a falta de assunto, mesmo num mundo onde de tudo se dá, inclusive gente de casado na praia em dia de Sol (acredite!). Quando isso acontece às vésperas de entregar o texto ao veículo é tão ou mais desgostoso do que quando o Flamengo perde o Campeonato Carioca (mais raro do que a passagem do cometa Halley ou sorrisos nos lábios de João Gilberto). De fato, não sofro tanto com isso, mas por pouco deixo de publicar essa (espero) agradável coluna no agradável Jornal de Pedro do Rio.

Durante o mês de setembro, várias idéias surgiram para servirem de tema central da crônica. A principal delas foi sobre um brilhante discurso proferido pelo presidente Barack Obama a alunos estadunidenses, que cursam do jardim ao ensino médio. O cara foi tão sensacional, que se ele tivesse um perfil no orkut.com, eu o convidaria para a minha rede de amigos e preencheria aquela estrelinha que nos permite tornarmos fã de alguém (semana passada um Obama me adicionou no Orkut, mas deve ter sido algum fake, eu acho). Obama tocou em assuntos fundamentais da sociedade, sempre se baseando na educação formal e também informal.

Durante o pronunciamento histórico, pelo menos eu classifico dessa forma (quem faz a minha classificação sou eu, e daí?), ele praticamente exigiu responsabilidade por parte das crianças, mesmo as que (coitadinhas) acabavam de sentar pela primeira vez nas cadeiras escolares, sem entender o que era giz de cera.

Foi emocionante, muito mesmo! Alguns oposicionistas acusaram o presidente de ter agido de maneira severa demais. Mesmo assim, entendo que ele mandou uma real, como se diz na linguagem cotidiana. Penso, inclusive, que debates do tipo poderiam ser incentivados periodicamente nas e pelas instituições de ensino.

Belíssimo! Achei tão interessante o discurso, que decidi abordá-lo neste espaço. Algo me impediu, porém! Algo me confidenciou que eu seria repetitivo e pouco despertaria o interesse do querido leitor. Depois você até pode me corrigir, mas sinto haver certa falta de motivação para temas assim na sociedade.

O que fazer então? Chutar o balde? Quem sabe inventar uma história e acabar de vez por todas com esse dilema? Imaginei divulgar o encontro que tive com o presidente Lula há três semanas e oito dias num restaurante no Centro da cidade, mas suspeito que não seria muito convincente! Petrópolis é um ovo (elegante, mas é ovo), todos se conhecem e logo a verdade estaria revelada! Além disso, o presidente não deve ser grande apreciador de PF´s com guaraná.

Quase jogando a toalha, surgiu uma inspiração daquelas (mais raras do que a passagem do cometa Halley e vitórias do Rubinho Barrichello). Todo o texto sobre as mulheres brasileiras presidenciáveis (Dilma Rousseff, Marina Silva e, talvez, a Heloísa Helena) apareceu na minha mente, pedindo muito, insistindo bastante para viajar pelas folhas do caderno (antes de passar para o computador, escrevo no caderno, e daí? O caderno velho é meu!). Uma pena já não ter mais tempo para desenvolver o tema!

domingo, 20 de setembro de 2009

Se não fosse o sorvete, entraria para a História!

Antes de a senhorita ou o senhorito ler a crônica abaixo, advirto que não é aconselhada para menores de 16 anos, pois contém palavras (em vermelho) impróprias à educação da molecada!


Meleca! Acordei com uma sede imensa de escrever algo realmente bom, bom mesmo, inédito, jamais lido na história do planeta Terra nem na de qualquer outro espaço do espaço. Queria revolucionar, causar um intenso impacto positivo no modelo de elaboração de textos, chocar, desconfigurar e reconfigurar.

Tremenda
sacanagem! A inspiração veio, digamos, incompleta. Não me ocorre, pelo menos até o presente momento, uma ideia precisa de como, de fato, colocar a vontade em prática. Como realizar a ousada façanha (aceito sugestões)? Talvez inventar um idioma bem avançado para contribuir com a transmissão da informação inserida em textos; quem sabe falar sobre um tema nunca antes abordado em parte alguma do Universo; começar a crônica pelo meio e terminar com o fim de alguma crônica produzida por outra pessoa, deixando o início em branco, convidando-o (a) a sugerir um começo que se encaixe no restante! Ainda não sei como encontrar solução para esse mistério. Injustiça das grandes!

Se a inspiração viesse completa, eu ficaria ultrafamoso do dia para a noite, seria entrevistado em horário nobre pelo midiático prof. Pasquale, seria citado em importantes livros de autores consagrados, tiraria foto ao lado do presidente, ganharia uma coluna semanal no O Globo e no The New York Times, conheceria todo o Brasil, ganharia livros de presente (mesmo sem impostos, os preços são bem salgados), receberia homenagem da Academia Brasileira de Letras e elogios públicos do Fernando Veríssimo.

Por capricho e vaidade, só me chegou o desejo, grande desejo, de profunda radicalização textual. Só isso e nada mais! Petulância! Desrespeito! Imoralidade das brutas! Como se me dessem de presente uma bicicleta superequipada, mas faltando a corrente, sem a qual permanecemos no mesmíssimo lugar!

Aí, o (a) querido (a) ciberleitor (a) diria: basta comprar a corrente, meu caro desatento! A situação é como se fosse, no caso, um esforço para atingir o bendito resultado inédito. Agradeço, mesmo, o suposto palpite, mas num domingo preguiçoso como esse, de Sol maroto e vento companheiro, a energia foi bem reservada para comprar sorvete de flocos no mercadinho aqui próximo (R$ 1,20 a
casquinha com uma bola), a uns 500 metros.

Ah, e ainda preciso conferir a Mega-Sena acumulada em R$ 24 milhões. Com esse agrado, bancaria o futebol do Flamengo em troca de uma vaga no ataque ou na posição de armador da equipe titular. Manchete do Lance!: Artilheiro Bruno Lara forma dupla de ataque com o Imperador Adriano. Talvez até obtenha um lugar na seleção que disputa a Copa do Mundo ano que vem. Imagina o “Letras e Harmonia – a leitura gostosa da arte feita com prazer” estampado na camisa de cada jogador! Na final da Copa, Robinho marca o gol do título e comemora diante da torcida, fotógrafos e câmeras, que registram o novo patrocínio. Um incentivo à leitura no mundo do esporte, como não!?

Bem, enquanto os malotes de Reais não chegam, vou ao mercadinho do Sr. Jorge comprar o sorvete, e mais tarde conferir o resultado da Mega-Sena (esse estratégico atraso ajuda a manter por um pouco mais de tempo a esperança de ir à África do Sul em 2010 ou de estar no gramado do Maracanã na final do próximo Carioca).

Uma pena a inspiração ter vindo logo num domingo
safado assim! Pode ser que na próxima terça ou quarta-feira, quando o ritmo mais acelerado nos agita, a ansiedade pela inovação textual faça nova visita e contenha um anexo, ou ainda eu possa trabalhar essa questão com mais dedicação. Qualquer coisa, retorno para compartilhar e desfrutar os louros da genialidade oculta!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Méson-pi humano


Méson-pi. A que esse termo lhe remete? Ao nome do goleiro reserva da seleção de futebol do Tadjiquistão? Ao mais recente ditador a assumir o poder na Coreia do Norte? À denominação de algum satélite de Júpiter descoberto há duas semanas e meia por um cientista húngaro aposentado? A uma tribo indígena em extinção no Norte do Brasil? Quem sabe a um personagem criado por Maurício de Sousa para ingressar na Turma da Mônica e agitar as tramas da turminha, ou ainda a um monumento histórico da Renascença? Talvez à mais nova contratação para preencher a lateral-direita do CSKA, time russo de futebol?

Parabéns! As tentativas foram boas, é verdade, mas longe, bem longe do méson-pi a que me refiro. O termo, no caso, é utilizado pela Física para descrever a partícula subatômica responsável por manter coeso o núcleo de um átomo.
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Ah, não! Lá vem o Bruno com papo-cabeça encher a minha preciosa paciência!
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Calma, calma, não é o que você está pensando. Eu posso explicar (qualquer semelhança com eventual desvio de comportamento conjugal é mera coincidência).
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O méson-pi é considerado um dos fenômenos fundamentais da natureza. Cesar Lattes, no fim da década de 1940, comprovou a existência de uma força capaz de manter unido o núcleo do átomo, formado por prótons e nêutrons (sei lá, talvez venha daí o “Currículo Lattes”) . O fato causou um impacto e tanto na comunidade científica.
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Embora o píon, outro nome atribuído ao senhor méson (só para os íntimos), seja da área de Exatas, a Humanas também pode utilizá-lo, “roubando-o” um pouquinho para explicar alguns fenômenos sociais. Os núcleos dos grupos humanos podem ser mais coesos ou tender à dispersão, comprometendo as relações, atividades e funções.
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Por exemplo, na política, um partido precisa de unicidade, pelo menos a cúpula, para orientar toda a estrutura e cumprir o cronograma de ação. De outra maneira, a sigla age incoerentemente, contrariando os filiados e as propostas. O governo necessita de membros que tenham afinidades entre si para implementar medidas importantes para a sociedade, senão desagrada aos interesses coletivos.

Fundamental célula social, a família também requer um méson-pi forte, ainda mais nos presentes dias, em que o trânsito de informações é intenso, complexo e impacta a todos nós, mergulhados numa contemporaneidade cuja definição ainda é bastante discutida. Poderíamos estender essa aplicação às escolas, empresas, enfim, aos mais diversos grupos que compõem a sociedade, mas o espaço é curto e a preguiça é longa para inserir aqui outras organizações sociais.
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Descobrir a existência do píon humano é tarefa relativamente fácil, nada que requeira a intervenção de um novo Cesar Lattes. O desafio é aplicá-lo com eficiência!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Olá!

Estou um pouco sumido, mas retorno em breve com novas produções para o blog, ok?

Felicidades!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Série: Ouvi por aí

Estava eu há cinco minutos na fila de uma casa de câmbio para trocar alguns dólares... ok, ok, confesso:
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Estava eu há meia hora no ponto esperando o ônibus, quando um rapaz- brincalhão- que conversava com o amigo disse:

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- Você sabe que a Revista Veja tem outro nome em Minas Gerais, né?
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- Essa é novidade para mim. Como é chamada a Veja por lá?
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- Óia!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

1º de abr...julho




Sabe quando uma notícia inesperada (inesperada mesmo) nos deixa sem reação? Imagina a imprensa anunciar amanhã a transferência do Rogério Ceni para o Palmeiras, a vitória de Obina na eleição de melhor jogador do mundo, o título do Rubinho na F1, a chegada de Heloísa Helena à presidência, já no 1º turno, pelo PSDB, ao lado do vice Renan Calheiros, ou mesmo que a Débora Secco está encalhada.
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Pois é, foi assim que me senti ao ler no finalzinho da tarde de ontem a manchete do jornal Extra, único exposto naquela banca, por causa do horário. O título dizia: "Conta de Luz Fica Mais Barata". Durante uns cinco segundos, eu fiquei imóvel em frente à banca de jornal. "Claro", pensei, "1º de abril". O meu relógio, porém, tratou logo logo de me corrigir: dia 1º, ok, mas de julho, meu rapaz!
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Eu não poderia agir de outra forma, senão comprar aquela histórica edição do veículo - nº 4.194, ano XII, quarta-feira, 1º de julho de 2009, Rio de Janeiro. Para a minha sorte, havia os R$ 1,10 na mochila. Bem, sem querer contar vantagem, havia até mais: R$ 2 (nada de assaltos ou inveja, por favor).
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O texto publicado na página 15 dizia que 2,9 milhões de clientes vão se beneficiar pela queda de 2,82% na cobrança da taxa de energia. Essa redução é possível graças à extinção da RTE, Recomposição Tarifária Extraordinária, nome elegante concedido à tarifa extra que as empresas passaram a cobrar na época do apagão, em 2001, como forma de compensar as perdas nas arrecadações.

Certo, mas vamos combinar que a redução não é lá das mais atrativas. Quebra um galho! Segundo a matéria, uma conta de R$ 50 vai custar R$ 48,59. OK, pelo menos dá para pagar o jornal de ontem.
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Ops, é isso mesmo? O último parágrafo informa que, ao contrário da empresa Light, a Ampla, fornecedora da minha região, decidiu manter a taxa até 2011?

PQP, quero o meu dinheiro de volta!

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Obs: pelo menos a grana valeu pelo conteúdo da página 7, que aborda... ih, preciso ir pois o PC está ligado por muito tempo... gasta uma energia!

sábado, 27 de junho de 2009

ESTRÉIA: Nossa Prosa


Olá, pessoal!!! Tudo ótimo?

Como eu disse, o Letras e Harmonia apresenta hoje uma novidade. É o "Nossa Prosa", um espaço reservado a entrevistas sempre interessantes ("onde está a modéstia, sr. Bruno?").

Para estrear, entrevistei o jornalista e professor universitário Eduardo Jorge de Oliveira, 40 anos, que está prestes a dar um novo passo na carreira: dia 18 de julho, ele lança pela editora Multitype o livro "A Francesa História do Brasil", em cerimônia realizada no Museu Imperial, em Petrópolis-RJ.

Formado há 19 anos pela Faculdade da Cidade, ele especializou-se em Jornalismo Cultural (2004) pela Universidade Estácio de Sá e fez mestrado em Ciência Política (2005) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Iniciou a carreira no jornal Tribuna de Petrópolis, tendo trabalhado ainda em veículos como na Revista Veja e nos jornais O Globo e O Dia.

Atualmente, o vascaíno Eduardo Jorge trabalha como professor nas universidades UniFOA e Estácio de Sá, onde chegou a ser coordenador de Comunicação Social do campus Petrópolis.
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Fique à vontade para acompanhar o papo:

Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Durante uma estadia na França. Conversando com várias pessoas e observando os cenários e práticas sociais, entendi que havia mais afinidades entre as nossas culturas do que se supunha. A pesquisa confirmou isso.

Franceses e brasileiros, no entanto, sabem muito pouco uns dos outros, embora haja diversos pontos em comum na história dos dois países - especialmente os franceses. Eles têm muito pouca informação sobre o Brasil e sobre a nossa história. Considero isso lamentável, porque a França teve um papel decisivo em vários momentos do nosso país.

Quais momentos o senhor destacaria?
Há um dado pouco avaliado no século XVI, por exemplo. Os portugueses colocaram o Brasil em segundo plano durante 30 anos e, "de repente", a partir de 1530, deram início à efetiva ocupação do território. Isso somente aconteceu devido à grande ameaça de perder o Brasil para os franceses.
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Todo o litoral do Nordeste, boa parte do Norte e até mesmo duas capitais (Rio e São Luís) surgiram como núcleos de ocupação exclusivamente devido à presença ou à possibilidade da presença francesa.
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Há outros exemplos curiosos, como a Inconfidência Mineira, tramada na França. Cinco anos depois, no Rio, a metrópole estabeleceu uma devassa sobre um grupo de letrados "apenas" porque eles debatiam princípios iluministas - e um deles chegou a ficar preso durante quatro anos porque tinha em casa um livro de (Jean-Jacques) Rousseau.
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A chamada Revolta dos Alfaiates, na Bahia, começou devido à esperança de que a França iria apoiar a Revolução. Mais tarde, em Pernambuco, os revolucionários de 1817 queriam trazer Napoleão Bonaparte para o Recife. Involuntariamente, Bonaparte já havia ajudado o Brasil quando determinou a fuga da família real, em 1808, o que alterou a balança do poder colonial. O fato é considerado o primeiro passo efetivo para a independência.
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Para terminar, no primeiro reinado, o modelo político, a constituição, os símbolos nacionais etc foram, em maior ou menor grau, definidos pelos modelos franceses. No segundo reinado, a maioria das instituições públicas e privadas, os modos de ser e agir das classes dominantes e campos do saber foram definidos pelo o que acontecia na França ou pelos franceses que se estabeleceram aqui. O processo prosseguiu na república.

O que há de mais interessante e curioso na histórica relação Brasil-França que os livros escolares não informam?
É difícil citar tudo o que inseri no livro, mas ressalto um ponto em particular. O nosso maior símbolo nacional, a bandeira, foi criada por um francês e modificada por outro, sempre obedecendo aos padrões estéticos franceses. É um exemplo, dentre vários, de como se manifestava esta influência.
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É coincidência o lançamento da obra logo no ano da França no Brasil?
Em parte, sim. Tudo começou com a idéia de produzir um artigo, há dois anos. Com a pesquisa concluída ano passado, constatei que o material era muito grande, renderia um livro. Ora, nada melhor do que escrevê-lo para lançá-lo no "Ano da França no Brasil".

Esse artigo chegou a ser publicado?
Não, tornou-se o próprio livro.
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Como foi realizada a pesquisa? Fale um pouco sobre as fontes.

Embora tenha conversado com muita gente, não reproduzi o resultado destes diálogos. Preferi as fontes documentais. Meus "entrevistados" são historiadores e, principalmente, testemunhas e contemporâneos dos eventos analisados. Não há qualquer segredo, todos eles estão publicados em livros e teses.

Como os contatos diretos com os franceses contribuíram para a elaboração da obra?
Quando eu falava a eles sobre personagens franceses na história do Brasil, eles em geral ficavam bem espantados, simplesmente ignoravam que seu país tivesse sido tão importante na construção da nossa cultura. Muitos sugeriram que eu escrevesse a respeito disso.
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Grande parte do olhar cosmopolita deles, muito daquilo que eles entendem sobre o mundo, tem a ver com suas antigas colônias, na Ásia e na África - e o Brasil acaba sendo uma grande incógnita. A rigor, aliás, "A Francesa História do Brasil" é um livro escrito para o mercado francês.

Como você pretende atingir esse mercado?
Embora não seja um especialista no assunto, observo que o mercado francês é muito receptivo a trabalhos que falam da sua história nacional. As vitrines das livrarias de Paris apresentam centenas de títulos a respeito de inúmeros aspectos da história francesa - o que pode não ser uma informação "científica", mas é um bom indício.
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A inserção dos franceses na história do Brasil, na ótica que proponho, é um tema bastante original para o mercado deles.
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Há uma meta estipulada, mesmo informalmente, para a obra atingir, como vender um determinado número de cópias?
Isso tem mais a ver com a receptividade. Estou otimista, acho que poderá ser uma leitura agradável para muita gente, mas qualquer "meta" seria, na verdade, um palpite.

Na Ciência Política, nós observamos uma intensa transferência do modelo político francês não só para o Brasil, como também para o mundo todo. Você não acha que as pessoas, embora vivam isso, deixam de saber as origens e interferências européias no cotidiano político, não necessariamente partidário?
Sem dúvida alguma. As origens das doutrinas políticas, geralmente, são ignoradas. Para agravar, alguns princípios fundamentais de algumas correntes são eventualmente deturpados.
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No Brasil, por exemplo, tais modelos vieram prontos. Devido à inconsistência de propostas locais, foram adaptados às realidades nativas e, muitas vezes, "degenerados" dos seus princípios originais. Ainda observando a história, vamos ter como resultado desta prática, por exemplo, o estabelecimento de uma monarquia constitucional que não foi tão constitucional assim; e uma república, cujas instituições foram estabelecidas não de acordo com as reais necessidades do país, mas apenas e tão somente porque era a realidade na França.
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Não havia ideologia nem compreensão ideológica, apenas o talento da imitação.
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O senhor acredita que atualmente a França ainda seja uma referência decisiva para o Brasil? Podemos dizer que há um país determinante que ocupe tal posição?
Entendo que desde meados do século XX o Brasil já encontrou o caminho de sua própria identidade. Ainda há, é claro, uma influência notável do que acontece no exterior, especialmente em termos culturais. Mas o "monopólio" de influência francesa já foi desmoronado- e é fato que desde o pós-guerra a mentalidade cultural brasileira anda mais inclinada para os Estados Unidos.

De toda forma, porém, neste mesmo período o Brasil e os brasileiros começaram a ver sua própria identidade como algo digno. No caso da arte, por exemplo, passou a considerar que a arte "popular" do Brasil era, sim, de qualidade. Daí é difícil dizer que haja, ainda nos dias de hoje, uma influência estrangeira decisiva, como foi a da França no passado.

"Aquela anedota de os estrangeiros acharem que o Brasil é a capital de Buenos Aires, ou que nas nossas ruas as cobras passeiam livremente, não está muito longe daquilo que os franceses em geral sabem sobre o Brasil", Eduardo Jorge de Oliveira.

Na sua opinião, nós brasileiros também deixamos as nossas marcas culturais lá na Europa, particularmente na França?
Acho que não. Para o francês médio, o Brasil é virtualmente desconhecido e quando, por algum motivo, atinge alguma evidência, ainda tem uma aura "exótica", como se fosse uma terra selvagem. Aquela anedota de os estrangeiros acharem que o Brasil é a capital de Buanos Aires, ou que nas nossas ruas as cobras passeiam livremente, não está muito longe daquilo que os franceses em geral sabem sobre o Brasil.

Há, é claro, iniciativas notáveis - desde a capoeira até grandes pesquisadores radicados na França. Mas não sei se o papel destes agentes é suficiente para que falemos de uma "marca cultural" brasileira na Europa.
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Como o senhor interpreta a cultura francesa? Ela lhe encanta?
As relações culturais são encantadoras independentemente da nacionalidade de quem interage. Não acho que uma cultura francesa seja particularmente encantadora, mas admirável, como são as culturas de outros povos. A rigor, porém, as manifestações culturais que mais despertam interesse vêm daqui mesmo, do Brasil. Afinal, é das nossas encantadoras mentalidades que estamos falando.

Pretende escrever outros livros abordando este tema ou mesmo assuntos variados?
A pretensão é eterna.
No momento, porém, prefiro manter as idéias reservadas.

Quais são os próximos planos na carreira?
Há outros projetos de livros-reportagem, mas ainda é cedo para falar deles.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Satisfação

Olá, pessoa!!!

Calma, eu não sumi não!!

Já volto, ok???

terça-feira, 16 de junho de 2009

Vem surpresa boa ae!

Olá, pessoal!! Tudo ótimo? Que bom!

Hoje venho aqui para anunciar que logo logo retorno com uma novidade no Letras, ok??

Abraços!!
Felicidades!!!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O companheiro e a companheira

Olá, pessoal!!!!

Bem, como não poderia deixar passar em branco o Dia dos Namorados, deixo uma crônica que publiquei ano passado no Comunique-se. Não foi possível produzir um texto novo por causa da correria pós-moderna, mas tenho certeza de que muita gente ainda não conhecia esse aqui.

Espero que gostem. Boa leitura!

Junho, mês dos namorados. Data oportuna para escrever um texto romântico e citar como exemplo de relacionamento duradouro alguma celebridade bastante conhecida. Esta crônica, no entanto, poderia ser confundida com mais uma daquelas que promovem a mídia da fofoca.Pensei, então, em comentar sobre o casal mais famoso da ciência: os físicos Pierre e Marie Curie. Talvez seja uma forma de tornar a ciência mais íntima do leitor, incentivando o conhecimento. O tema, porém, também não me apeteceu muito.

Horas depois, estava quase decidido a mudar o assunto e escrever sobre os mitos dos nativos de Madagascar (não pergunte o motivo). Foi nesse momento que me ocorreu a idéia de analisar o casamento mais comovente e sincero que conheço: o de Lula com a População.

No início, poucos acreditavam que o relacionamento daria certo. Alguns julgavam que eles não combinavam, outros criticavam a aparência do Lula. "Ele é muito feio pra ela", diziam.
Enganaram-se! Já são cinco anos e meio juntos, o suficiente para superar grandes dificuldades.

Lembro-me de 2005, exatamente em junho, quando o relacionamento entrou em crise. Acusaram o marido de, entre outras coisas, ser traidor. O casal não rompeu e no ano seguinte renovou o matrimônio. Quem hoje os vê assim, cheio de carícias, não sabe que o processo da conquista demorou, e muito!

Tudo começou em 1989. Sofrida pelos últimos relacionamentos, a População trocou de marido. Dois homens disputavam o coração da donzela magoada. Um deles era Fernando Collor, de uma tradicional família nordestina, boa aparência e que apresentava bons modos. O outro era o Lula, este sim sangue do Nordeste, humilde, simples, com baixa escolaridade e que mal sabia falar. A jovem escolheu o primeiro.

Tola População! Mais uma vez enganada! O bom moço abusou da honestidade, da sinceridade e da confiança da esposa. O casamento, que parecia ser duradouro, não passou de três anos, o último em crise profunda.

Era tudo o que o Lula queria para levar a moça para a cama, mas também não foi dessa vez. Após um caso com um senhor soteropolitano, mas de cultura mineira, excêntrico, famoso pelo topete e por gostar de Fusca, a População caiu nos braços de um outro Fernando. Este diferente. Poliglota, carinhoso, inteligente e sociólogo reconhecido em todo o mundo, Fernando Henrique Cardoso, homem fino da elite paulista, ganhou a confiança da calejada dama.

A lua-de-mel demorou bastante tempo, mas oito anos depois o amor estava desgastado. Não havia mais o respeito e a cumplicidade que formara tão bela parceria. Melhor para o Lula, que soube aproveitar a carência da População. Estão juntos desde 2003. Ela reclama um pouco que o marido viaja mais do que fica em casa. No fundo, isso acaba ajudando. Quando ele chega de viagem, só tem tempo para matar a saudade. Embora nenhum deles fale abertamente sobre sexo, comenta-se que o cabra da peste é bom de cama. Coitadinha da População!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sequestro emocional (parte 2- final)

De casa ao banco, Batista demorou 20 minutos, atrasou um pouco por causa de um congestionamento provocado por um leve acidente envolvendo uma moto e um ônibus. Sem problemas para ele. A sexta-feira era perfeita demais para ser conturbada por mais cinco ou dez minutos. Bem, vamos acrescentar outros nove minutinhos, tempo que durou para encontrar uma vaga próximo ao banco. Sem estresse. Sem estresse. A paz era tanta, que Dalai Lama ao lado do Batista pareceria um daqueles profissionais que trabalham nas bolsas de valores, falando, ouvindo, correndo, negociando, lendo, telefonando... tudo ao mesmo tempo.

Quando entrou na agência bancária, porém, se deparou com uma fila... uma fila gigante, que botava inveja em qualquer terminal de ônibus às 17h (ok,ok, exagero, mas de fato a fila não era muito animadora)! "P*@# ... riu, vou ficar aqui o dia inteiro!" Para agravar, dos cinco caixas, apenas um funcionava.

Um senhor gordo, desleixado, de cabelos brancos e cara de poucos amigos atendia aos clientes. Nem aí para o tempo. Com só este caixa aberto, idosos, gestantes e deficientes físicos, que tinham a preferência, retardavam ainda mais a fila da qual Batista era o último.

Parecia que brotavam idosos na porta do banco. "Será que todos marcaram encontro aqui hoje, meu Deus?" Havia de todos os tipos: baixos, altos, homens, mulheres, gordos magros, com e sem óculos, modernos, tradicionais, agitados, serenos, sozinhos, acompanhados e até quem se fazia de mais velho para passar à frente.

Pronto, a inquietação tomara conta do corpo do Batista! As mãos se mexiam a toda hora, coçavam o nariz, mexiam no cabelo, estalavam os dedos. Mãos no bolso. Mãos fora do bolso. Os pés não paravam de mover-se, quase obrigando-o a andar por toda a agência. E o olhar, então? Igualzinho. Finalmente o estresse se manifestava. Uma visita pra lá de indesejável.

Percebeu que ao lado de uma das câmeras de segurança, atrás do quinto caixa (vazio) havia um relógio digital: 14:36. A hora, porém, não mudava. Quebrado. Botou as mãos no bolso da calça para encontrar o celular. Sem bateria. A cada frustração, a cabeça ficava mais e mais quente. A raiva era alimentada. Os músculos do rosto contraídos e o suor na testa denunciavam a angústia. Uma imagem do cérebro mostraria a amígdala cortical, responsável pelas emoções, dominando o órgão. Tensão. Hipertensão.

A fila andava com uma lentidão impressionante, como jamais acontecera antes na vida dele. "Ninguém reclama! Será que só eu me incomodo com esse tratamento?", pensou quase em voz alta. O esforço foi ficando muito intenso e cansativo para segurar a explosão. Tinha tudo esquematizado na mente. Em poucos segundos daria um grito de indignação e partiria para cima do senhor no caixa: "quem é o incompetente gerente desta espelunca ineficiente que nos desrespeita?". Saindo dali, procuraria o Procon para registrar a queixa e logo depois entraria em contato com um advogado, não, um ótimo advogado para processar o banco. Pena, o dia acabara ali!

Um monte de imbecis na fila, inclusive o Batista, suportando aquelas condições. "Muito atrevimento!". A essa altura, Batista já ultrapassara a cor vermelha. Sentia-se desprezado, menosprezado, injustiçado, humanamente acabado. Uma pena mesmo!

Bastaria alguém dizer um "olá! Como vai?" para Batista estourar de vez. "Como estou? Péssimo, amigo. Há dias dentro dessa cápsula ridícula, capitalista que suga o nosso dinheiro e despreza a gente. Agora sabe como me sinto?". Felizmente, ninguém o cumprimentou.

De repente, uma voz suave e meiga, simpática e confortável veio lá de longe: "próximo". Soou como música clássica nos ouvidos do Batista. Olhou ao redor. "Não é possível, sou eu, sou eu o próximo!" Com um imenso sorriso no rosto, agora bem relaxado, caminhou, não, desfilou confiante e alegre até o convidativo caixa. De boca cheia, deu um "boa tarde" ao simpático e amigável senhor antes de lhe entregar o boleto. Parecia que o próprio Batista recebia o dinheiro, tamanha a felicidade. Recusou-se a receber os R$ 0,25 de troco. "Fique com a moeda, por favor".

Já não mais vermelho, saiu satisfeito do banco. Antes, reparou que o relógio ao lado da câmera funcionava normalmente. Eram 14:51. Atravessou a porta giratória e seguiu para casa... sem pensar em processo, advogado, fórum, reclamação, Procon. Nila, Arthur, Flor e Pingo eram o destino dele, feliz da vida naquela sexta-feira de Sol.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Série: ouvi por aí!

Três amigos adolescentes estudam para a prova de Português na biblioteca municipal. Uma amiga pergunta à outra:

- Você já está por dentro da reforma ortográfica? Ainda estou boiando.

- Li alguma coisa sobre isso. Não é tão assustadora assim! Por exemplo, somem os acentos nos ditongos abertos "ei" e "oi" das paroxítonas.

O rapaz que as acompanhava franziu a testa e, com uma expressão de perdido na Floresta Amazônica, questionou:

- Ótimo, agora só falta eu saber o que é paroxítona e ditongo aberto...